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Elegante e sutil, “A Forma da Água” é um conto de fadas que une o místico e erótico com maestria

A descoberta do amor é uma das coisas mais belas da vida e Guillermo Del Toro, com uma gama de monstros criados no decorrer de sua carreira, decidiu retratá-la em mais um belíssimo longa.

A Forma da Água” acompanha Elisa (Sally Hawkins), uma faxineira que tem sua vida completamente transformada com a chegada de uma criatura mística ao laboratório na qual trabalha.

A sutilidade de Del Toro fica evidente ao fazer referências à inúmeros contos de fadas. Alice e suas lágrimas que inundam o cômodo, o sapatinho perdido de Cinderela, o amor entre criaturas distintas de “A Bela e a Fera” e até a princesa muda de “A Pequena Sereia“. O grande diferencial dos contos retratados pela Disney em suas animações e “A Forma da Água” é que Del Toro consegue “adultizá-los” com um toque de erotismo e realidade.

O prazer feminino é um tabu enorme nos filmes e quase sempre é reprimido, mas em “A Forma da Água” Del Toro resolve demonstrá-lo com clareza e sutilidade. Desde os primeiros minutos percebemos que Elisa tem uma enorme conexão com a água e ela não é dada apenas pelo fato de estar apaixonada por uma criatura aquática, mas também pelo prazer do toque em seus banhos diários. Uma banheira cheia, nudez, uma panela d’água fervendo ovos e o apito de um temporizador são jogados em tela para que o espectador sinta o ápice do prazer da personagem.

O longa trabalha com sutilidade as nuances do amor e, desde o primeiro segundo, esbanja sexualidade da forma mais pura. Tudo isso, em conjunto ao misticismo que Del Toro carrega em todos os seus trabalhos, elevam o conto da bela apaixonada pela fera à um nível completamente diferente.

Outro ponto que preciso destacar aqui é a atuação de Sally Hawkins no papel de Elisa, a “princesa muda”. A atriz soma incontáveis pontos positivos ao filme apenas se comunicando por linguagem de sinais. Sally não precisa de nada mais que suas mãos e expressões faciais para transmitir o necessário para deixar o público emocionadíssimo.

Ao lado dela estão Michael Shannon, com dos seus melhores trabalhos no papel do vilão Strickland; Octavia Spencer, trazendo o alívio cômico mais encantador dos últimos tempos; Michael Stuhlbarg como o notável Dr. Hoffsteller; Richard Jenkins com uma atuação emocionante e, claro, o incrível Doug Jones no papel da criatura anfíbia.

A fotografia se mantém à todo momento com tons escuros de verde e azul para criar a atmosfera sombria típica do diretor, mas não apenas por isso. Ao final do filme somos apresentados à real intenção de Del Toro, mostrar que a criatura sempre esteve ali, presente, ao redor de Elisa como um abraço eterno.

A Forma da Água” é elegante e sutil como um conto de fadas que, nas mãos de Del Toro, se torna místico e erótico da melhor maneira possível.

Escrito por Marcelo Rogério

Geek, carioca, idealizador do Pop Creature, amante de raposas e Lana Del Rey e colecionador assíduo - vulgo viciado - de blu-rays e Funko!