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“Personal Shopper”, com Kristen Stewart, reflete sobre melancolia e luto de forma impecável

Vaiado em Cannes por não cumprir com a expectativa do público, “Personal Shopper” chega ao Festival do Rio 2016 em sua primeira exibição no Brasil, e com sala lotada!

Kristen Stewart ganhou os olhos do mundo após seu papel como Bela, em “Crepúsculo”, mas não podemos dizer que tais olhares sejam bons, visto que grande parte que a conhece por este feito vampiresco no cinema acha que a atriz não consegue se sustentar em outros papéis e que, muitas das vezes, não merece ser vista. Tudo isso se deve ao fato de que Bela não é uma boa personagem at all. Ela começa na franquia se mostrando completamente empoderada, mas logo vira a típica personagem de uma história machista. A culpa disso, é claro, não é da atriz que a interpreta, porém tudo leva a crer que o público não pensa o mesmo.

Kristen, pra mim, sempre foi uma boa atriz. Seja em “Crepúsculo” ou em seus outros trabalhos, é claro, agrada uns e desagrada outros, mas isso não quer dizer que ela seja má atriz e que não mereça a chance de mostrar seu talento como qualquer outra.

Queridinha dos parisienses, foi a primeira americana a ganhar o César, mais conhecido como o “Oscar Francês”. Olhares novamente voltavam-se para ela, e agora, mesmo com vaias em Cannes, em parceria com o diretor Oliver Assayas, entrega “Personal Shopper” à um público faminto pelo sobrenatural que não se agrada com pouco e prefere jumpscares a uma história coesa, surpreendente e bem contada.

Personal Shopper” acompanha a vida de Maureen, uma jovem americana que mora em Paris e, como o título do longa já deixa subentendido, trabalha como personal shopper de uma celebridade local.

Essa sinopse poderia render um filme comum, se não fosse acrescentado o fato de que Maureen tem dons mediúnicos e que, desde a morte de seu irmão gêmeo, tenta entrar em contato com ele.

O luto é o grande eixo principal da trama, conduzindo Maureen entre inúmeras histórias paralelas que passam desde dramas da vida cotidiana até momentos sobrenaturais, todos igualmente assustadores. A personal shopper ainda sofre pela perda de seu irmão, e um pacto que ambos fizeram no passado a deixa completamente parada no tempo, indisposta a continuar sua vida.

O longa é envolto em suspense, mistério e tem algumas cenas um pouco mais longas que o comum, mas já que o comum não é explorado aqui, tais cenas não incomodam e ajudam a gerar tensão e nervosismo.

O mix de real e irreal percorre por todas as situações que o filme apresenta, criando uma camada de dúvida e surpreendendo ainda mais com respostas colocadas em tela. A fotografia abusa do contraste entre cenas claras e escuras para criar diferentes ambientes e também do desfoque de câmera, criando inúmeros planos para inserção de figuras.

Kristen Stewart é um caso a se comentar neste filme, visto que Maureen, sua personagem melancólica e depressiva, é praticamente igual as outras de sua carreira, porém isso não a deixa para trás. A atriz faz questão de sair da sua “zona de conforto”, explora muito bem tudo o que a melancolia pode acarretar e nos entrega uma atuação esplêndida de encher os olhos.

Kristen continuará com haters sim, mas neste filme prova que com boas oportunidades consegue colocar seu talento à mesa e mostrar para todos do que é capaz.

Personal Shopper” não é um filme comercial, muito menos é o “Terror” que muitos esperam ao ler sua sinopse – apesar de contar com cenas assustadoras -, mas a trama é crescente, bem desenvolvida, e o plot-twist revela um drama sobrenatural que fará com que o espectador anseie por mais, crie inúmeras possibilidades em sua mente e reflita sobre o tema tratado. Pra mim, é o melhor filme do Festival do Rio 2016!

#PCnoFestivalDoRio #FestivalDoRio2016

Escrito por Marcelo Rogério

Geek, carioca, idealizador do Pop Creature, amante de raposas e Lana Del Rey e colecionador assíduo - vulgo viciado - de blu-rays e Funko!