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Um pouco mais sobre a 4ª temporada de “Black Mirror”

Isso é tão Black Mirror” viralizou na internet quando a Netflix adquiriu os direitos da série e lançou sua terceira temporada no catálogo do serviço de streaming. Foi um “BOOM” de pessoas comentando sobre a tão esperada nova temporada de uma das séries mais polêmicas dos últimos anos. 21 de outubro de 2016. Todos estavam falando sobre ela.

Hoje, dezembro de 2017, tudo parece estar seguindo o mesmo caminho. A quarta temporada de “Black Mirror” foi, finalmente, lançada pela Netflix, e os comentários, posts e compartilhamentos sobre ela nas redes sociais não param. 6 novos episódios, 6 novas histórias e 6 motivos para ficar chocado!

O investimento por parte da Netflix é claramente perceptível nesta nova temporada, tanto pelas locações escolhidas para rodar a série, quanto pela fotografia refinada e surpreendente de alguns episódios. O que era “simples” – nas primeiras temporadas produzidas pela Channel 4 -, agora se torna algo visualmente deslumbrante e digno de prêmios.

Um dos pontos que acho válido destacar antes de começar a falar sobre cada um dos episódios que maratonei com vigor é o fato de que todos eles são, de certa forma, comandados por mulheres. Brancas, negras, fortes, fracas, bonitas ou feias. Nada disso importa. As protagonistas passam por inúmeras situações, sejam elas de desespero, dor, medo, felicidade ou êxtase. Colocar diversas mulheres na linha de frente de todos os episódios de uma das séries mais faladas do momento é um grande ponto positivo, viu senhora Netflix?

——————– O texto abaixo pode conter SPOILER ——————–

Ep1. USS Callister

Mundo gamer

O primeiro episódio desta temporada, dirigido por Toby Haynes, acompanha Robert Daly (Jesse Plemons), um programador de vida medíocre que não tem muitos amigos e é tratado como um Zé-ninguém no trabalho. A partir daí, a história que parece focar apenas em um personagem, se divide em novos rumos e segue a perspectiva da personagem de Cristin Milioti, que começa a trabalhar na mesma empresa que ele.

Ela tem seu DNA roubado e acorda em uma nave no maior estilo “Star Trek” comandada por Daly, onde o mesmo é tratado como um deus. Ele, então, mostra sua real intenção, e o episódio que seguia um estilo cômico começa a se mostrar inesperadamente assustador, bem “Black Mirror“.

Durante todo o episódio, o grande alerta é de que o universo online dos gamers é completamente tóxico, machista e cheio de pessoas que vivem vidas duplas por não estarem satisfeitas com a vida real. O problema é que algumas dessas pessoas esquecem o limite do absurdo e começam a se tornar perversas, deixando de lado o “certo” e o “errado”, já que comandam aquele mundinho virtual.

Ep2. Arkangel

Superproteção

Uma mãe. Uma filha. Proibições e limitações. Esse é o enredo do segundo episódio desta temporada de “Black Mirror“.

Se você pudesse bloquear um ente querido de tudo de ruim que o mundo tem a oferecer, você o faria? Pois bem, é isso que a mãe de Sara, interpretada por Rosemarie DeWitt, faz.

O episódio acompanha as duas desde o nascimento de Sara até sua adolescência. A direção de Jodie Foster é certeira e eficaz ao apresentar, em apenas um take, o crescimento da menina.

Logo nos primeiros momentos, a mãe, ao perder sua filha em um parquinho, resolve adquirir um produto de alta tecnologia que permite rastrear, monitorar, ver e até bloquear o que Sara está vendo.

A trama logo evolui de um simples ato de superproteção para um relacionamento abusivo de mãe e filha, que acaba da pior maneira possível e deixa em aberto inúmeras possibilidades para o rumo da adolescente. Ficam em mente as piores coisas, claro, visto que as diversas proibições durante o crescimento da menina apenas fariam-na querer mais e mais daquilo que lhe foi negado, escondido e proibido.

É fácil se desvirtuar e seguir o caminho errado se você nunca foi apresentado a ele e sua ideia de “certo” te levou a um ápice horrendo na sua vida.

Ep3. Crocodile

Morte a sangue frio

Um crocolido mata sua presa e chora lágrimas mecânicas, com ausência de emoções ou sentimentos, por conta da força que a musculatura precisou exercer para o abate. Em “Crocodile“, o terceiro episódio desta temporada, Mia (Andrea Riseborough) é a personificação do animal. Ela apenas segue seu instinto e se torna praticamente uma serial killer no decorrer da trama.

O visual estonteante do episódio rodado na Islândia é de deixar qualquer um com os olhos arregalados diante de todas as paisagens clocadas em tela. A direção de John Hillcoat também faz com que o espectador se sinta tenso ao ser apresentado aos poucos às diversas soluções para o caso investigado pela inspetora de seguro de vida interpretada por Kiran Sonia Sawar, que entrega uma ótima performance aqui.

Lágrimas não faltam, mas assim como o animal que dá nome ao episódio, a personagem de Andrea Riseborough não chora pela pessoa que matou, mas sim pelos problemas que o ato de matar ocasionam em sua vida.

No fim das contas, você pode perdoar a protagonista por estar apenas tentando proteger sua reputação e família ou odiá-la por ter matado todos. Caso perdoe-a, estará caindo na armadilha das lágrimas de CROCODILO.

Ep4. Hang the DJ

Relacionamentos impostos

Um casal. Um aplicativo. Uma imposição.

Você quer ficar com aquela pessoa, ou o sistema impôs que você deve ficar com ela?

Seus amigos, seus familiares, os gostos da sociedade em que você vive. Você já descartou alguém simplesmente porque aquela pessoa não se inseria no seu grupo de amigos? Ou não era bonita o suficiente de acordo com o seu padrão de beleza, que no caso, foi de alguma forma imposto a você pela sociedade?

Você já imaginou que poderia ter tido uma vida incrível com aquela pessoa que viu apenas uma vez durante poucas horas? Pois é. Você poderia, mas nunca vai saber se não tentar.

Hang the DJ” é um episódio intenso e muito bem produzido, que te faz questionar a existência dos casais de hoje em dia e a felicidade das pessoas que estão juntas há muito ou pouco tempo. Foi um dos episódios que mais me deixou pensativo nesta temporada.

Ep5. Metalhead

Desigualdade social

O episódio de número 5 é dirigido por David Slade (American Gods) e tem a maior vibe “Mad Max” possível. Num mundo pós-apocalíptico em preto e branco, Slade consegue transmitir tensão, pânico e medo em cada um dos 40 minutos de duração.

Metalhead” não mostra muito, não conta muito e deixa tudo aberto à possibilidades e interpretações.

A minha é de que a desigualdade social citada pela personagem protagonista fez tudo isso acontecer e, quando os menos privilegiados se viram sendo caçados – como em “Men Against Fire“, episódio 5 da terceira temporada -, precisaram se esconder e criar seus filhos em segurança, mas sem deixar de manter a infância viva em cada um deles.

A “reposição” era um estoque de ursos de pelúcia que faria as crianças felizes em meio à turbulência do que estava acontecendo. O que pode parecer pequeno pra quem vê de fora e não vive aquilo, é grande pra quem está envolvido.

Os ursinhos fariam as crianças crescerem com sentimentos bons e essa era a esperança. Que essas crianças mudassem o mundo!

Ep6. Black Museum

Tesão. Troca. Amor de família.

O último episódio da temporada fica por conta de Colm McCarthy, diretor do aclamado “The Girl With All The Gifts“. O ep conta três histórias diferentes com o mesmo ponto de partida, Rolo Haynes (Douglas Hodge), o “cientista maluco” da TCKR.

Hynes é a mente por trás de grande parte dos produtos da TCKR que, pra quem não sabe, é a empresa que desenvolveu quase toda a tecnologia de “Black Mirror“.

Durante o desenrolar da trama, Hynes se apresenta como guia do “museu” e caminha com Nish (Letitia Wright) durante o percurso, contando a ela as histórias dos três produtos da empresa que deram “errado” e o porquê.

Cada um dos três mostram a faceta maligna da empresa e que nem tudo são flores como nos episódios mais “positivos” da série. Nish, então, se torna dona de um dos plot twists mais bacanas e surpreendentes de toda a temporada e bota pra quebrar!

Uma jovem negra e periférica mostrando toda sua inteligência e deixando um doutor renomado no chinelo é lindo de se ver, não é mesmo?

O fim do episódio é como o fim de um ciclo para “Black Mirror” que, além de ter um ótimo desfecho para a temporada e um fresh start para a próxima, fala sobre três diferentes formas de amor. O amor que acaba, o amor que pode ser substituído e o amor eterno.

– Considerações finais –

No fim das contas essa se mostra apenas mais uma das ÓTIMAS temporadas de “Black Mirror“. Você sempre espera por algo surpreendente e acaba realmente se surpreendendo, mas não da forma que imaginou.

A Netflix mandou ver mais uma vez e entregou episódios a altura de todos os outros. Já queremos a próxima temporada!

Escrito por Marcelo Rogério

Geek, carioca, idealizador do Pop Creature, amante de raposas e Lana Del Rey e colecionador assíduo - vulgo viciado - de blu-rays e Funko!