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“A Maldição da Chorona” acerta ao ser direto ao ponto

Cinema

“A Maldição da Chorona” acerta ao ser direto ao ponto

Mais uma vez James Wan retorna ao cinema para expandir o universo de “Invocação do Mal“, agora com “A Maldição da Chorona”, que conta a história de La Llorona, uma lenda do folclore mexicano.

O filme acompanha Anna Garcia – interpretada por Linda Cardellini, mais conhecida por seu trabalho como Velma no live action de Scooby-Doo (e recentemente pelo ganhador do Oscar Green Book) – e sua família, que vivem uma vida normal em Los Angeles até que começam a ser assombrados por La Llorona.

Uma das coisas mais legais da trama é a forma como La Llorona chegou à Los Angeles vinda do México. Assim como em “Deuses Americanos“, a explicação é que a entidade vive onde a crença à leva, e aí entra Patricia, a mãe solteira mexicana interpretada por Patricia Velasquez, que foi a primeira a entrar em contato com a entidade durante o filme.

Toda a trama é muito bem construída para que a entidade passe de família em família em busca das crianças sem enrolação. O que é pra acontecer, acontece e ponto. Nada de pontas soltas, altas teorias e referências. James Wan decide ser direto e contar uma história coerente durante a 1h33m de filme.

Apesar disso, o filme dá espaço pra construção de mais um degrau no universo de “Invocação do Mal“, que agora está mais do que apto para abordar entidades de diferentes culturas do mundo inteiro. O único cuidado, aqui, que Wan deve tomar, é para que não se aproprie fortemente de diferentes culturas em seu universo cinematográfico. Mas nada que uma boa pesquisa possa contornar essa situação, e claro, um bom casting, para que não só AMERICANOS sejam sempre o centro de tudo.

Uma coisa que eu não consegui deixar de pensar após assistir “A Maldição da Chorona” é que a figura de La Llorona não bota medo, apenas assusta com os jump scares colocados no filme. Uma mulher num vestido branco com maquiagem e CGI no rosto. Se o vestido fosse preto, seria A Freira! Então, pra mim, o que faltou foi esse trabalho na criação da entidade para que ela fosse realmente assustadora, apesar de Marisol Ramirez – atriz que interpreta A Chorona – estar de parabéns.

Já a direção do filme, em alguns momentos, me surpreendeu. A fotografia está impecável e a atmosfera imposta convence qualquer um que vá assistir. E quase como marca registrada de James Wan, o filme é repleto de piadinhas que fazem o público rir e quebram a tensão. Felizmente 90% das piadinhas funcionam e, sendo esperto ao saber que o público faria chacota de algumas coisas, Wan antecipa isso e ele mesmo conta a piada propositalmente. Uma boa jogada, a não ser por uma cena em específico que me deixou completamente incomodado com a piada que ja havia sido feita em outro momento e não tinha necessidade de se repetir.

Devo mencionar aqui um momento em específico de “A Maldição da Chorona” que me deixou boquiaberto por me transportar para a vibe de suspense de “Tubarão” (1975). O jeito como a cena se constrói, juntamente com a trilha sonora, faz com que o suspense se eleve e entregue um dos melhores e mais memoráveis momentos do filme. Você sabe que algo está se aproximando e sabe que algo vai acontecer, mas mesmo assim se surpreende quando acontece. Impecável!

Sem enrolação, “A Maldição da Chorona” é um ótimo filme que cumpre o seu papel de assustar e contar uma história interessante e coesa para um público sedento por um filme com sustos garantidos.

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